Parece que todos os dias
uma nova espécie entra na lista de animais ameaçados de extinção. Os cientistas até advertiram que estamos presenciando a
sexta extinção em massa e que mais da metade de toda a vida selvagem poderá
acabar até 2020. Como seu hambúrguer, bife ou queijo contribuem para isso? Além da
enorme crueldade a que os animais explorados são submetidos, a pecuária causa um impacto devastador na vida selvagem por causa da caça, pesca, desmatamento, perda de habitats, poluição e mudanças climáticas.
Além da matança indiscriminada de vida selvagem, a pecuária também ameaça a biodiversidade de forma colateral, pela perda dos habitats naturais que são transformados em pasto ou em plantação de soja. Um
relatório da ONU produzido em 2010 revelou que mais de um terço das terras do mundo são usadas para a criação e exploração de animais. O Banco Mundial estima que o desmatamento chega a
5,6 hectares a cada ano, uma área maior que toda a Costa Rica. A pecuária é responsável por mais de
90% da destruição da Floresta Amazônica.
“A pegada de carbono da agricultura global é vasta. A agricultura industrial é absolutamente responsável pela condução do desmatamento, absolutamente responsável por impulsionar a monocultura industrial, o que significa que é responsável pela perda de espécies. Estamos perdendo espécies de que nunca ouvimos falar, que ainda nem nomeamos, e a agricultura industrial está encabeçando isso tudo.”
E não é apenas a Amazônia. À medida que as terras em todo o mundo são destinadas para exploração de animais e agricultura, as espécies nativas são exterminadas. As florestas em
Sumatra, que abrigam elefantes e onças, estão sendo destruídas para dar lugar às plantações de palmeiras e extração de óleo de palma, muitas vezes para alimentar os animais explorados nas fazendas. Na Tanzânia, os animais criados estão constantemente pastando, reduzindo a diversidade de gramíneas e
ameaçando a reserva de alimentos para
zebras,
elefantes,
girafas e
rinocerontes. A pecuária não só dizimará a população selvagem desses países, como também gradualmente
invadirá os parques nacionais onde esses animais residem.

Os animais marinhos enfrentam problemas semelhantes. De acordo com um
estudo de 2017, mais de 69% das Orcas Residentes do Sul (população de orcas que vive na costa noroeste da América no Norte e listada como “ameaçada” pelo U.S. Fish & Wildlife Service) perderam seus filhotes antes mesmo do nascimento devido à fome.
Mais de 80% da dieta dessas baleias é composta por
salmão Chinook, outra espécie criticamente ameaçada que foi adicionada à lista de
espécies sobreexploradas em 2015. Sem seu alimento, as orcas grávidas não recebem os nutrientes necessários para completar o ciclo reprodutivo. Cada gravidez interrompida é desastrosa para essa população, agora estimada em menos de 80 baleias.
Os efeitos devastadores da pesca comercial deixam claro que, nos ecossistemas do mundo, tudo está conectado. Por exemplo, os papagaios-do-mar atlânticos nas ilhas Shetland dependem de anguilas para sobreviver. Uma vez que as anguilas foram pescadas em excesso, o número de papagaios-do-mar diminuiu drasticamente. Quando o arenque é sobreexplorado, as populações de bacalhau caem.

Da mesma forma, sardinhas e anchovas estão sendo sobreexploradas para ser transformadas em farinha de peixe para alimentar salmão, porcos e galinhas. Isso causa uma queda dramática na população de animais como pinguins, que dependem de sardinhas e anchovas para alimentação. Desde 2004, a população de pinguins sul-africanos
diminuiu surpreendentes 70%.
À medida que a demanda dos consumidores por peixes cresceu, aumentou também o número de animais capturados em redes de arrasto e engenhos de pesca. A indústria de pesca comercial mata cerca de
50 milhões de tubarões dessa forma a cada ano, dizimando ainda diversas outras espécies. As populações de tubarões-negro caíram 85% devido à captura acidental. Os grandes tubarões brancos, uma espécie particularmente vulnerável, são muitas vezes mortos em linhas longas e redes maciças na costa da Califórnia. Além disso, mais de
300 mil golfinhos, botos e baleias, incluindo as
ameaçadas baleias jubarte, morrem todos os anos depois de ficarem presas em equipamentos de pesca.

Na costa de El Salvador, os pesquisadores encontraram aproximadamente
400 tartarugas marinhas mortas, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Um dos principais suspeitos da morte em massa é a indústria do camarão. Aproximadamente 85% dos animais pegos juntos com os camarões são capturas involuntárias e, portanto, são descartados.
A poluição também desempenha um papel importante na destruição de habitats marinhos. A pecuária é uma significativa fonte de poluição da água e é responsável pela
maior zona morta registrada no Golfo do México. Toxinas que escoam das fábricas, principalmente estrume e fertilizante, vazam nas vias navegáveis próximas. Essas toxinas promovem o crescimento de algas, que criam zonas sem oxigênio. A Tyson Foods foi identificada como uma das principais contribuintes para essa forma de poluição. De fato, um relatório de 2016 descobriu que a Tyson era responsável por despejar
seis vezes mais poluição tóxica nas vias navegáveis do que a Exxon.
As mudanças climáticas destroem habitats e ameaçam a biodiversidade, reduzindo o habitat dos ursos polares, aumentando secas em todo o mundo e causando eventos climáticos extremos que matam espécies
ameaçadas de extinção.
É bastante claro que a indústria de exploração animal não se preocupa com o planeta ou os animais. Mas você pode boicotar esta indústria destrutiva e cruel mudando para uma dieta compassiva e ecológica.
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