As gigantes da indústria de alimentos BRF e JBS estão entre as novas empresas que farão parte da 2ª edição do Monitor de Iniciativas Corporativas pelos Animais (MICA), promovido pela Mercy For Animals (MFA). Mais de 50 companhias serão avaliadas no relatório, que será divulgado no primeiro semestre de 2022.

O MICA acompanha o anúncio e o cumprimento de compromissos de empresas alimentícias e hoteleiras da América Latina para reduzir o sofrimento de animais explorados para consumo. Na 1ª edição, lançada em maio de 2021, foram 34 grandes empresas.

A BRF eliminou os ovos de galinhas confinadas de sua cadeia de fornecimento da América Latina no ano passado e antecipou em cinco anos o prazo de sua transição. Já a JBS assumiu, em 2017, o compromisso de banir o confinamento de galinhas em sua cadeia de fornecimento de ovos.

“O bem-estar animal (BEA) é um compromisso que está intimamente conectado ao desenvolvimento sustentável e aos valores da BRF. Temos uma área robusta focada em BEA e visamos, cada vez mais, tomarmos medidas transparentes em relação aos nossos processos. Integrarmos iniciativas em prol do bem-estar dos animais está em completa sintonia com a nossa Companhia”, afirma Mariana Modesto, diretora de Sustentabilidade da BRF.

Além de BRF e JBS, que são as duas maiores empresas globais da indústria da carne, também estão entre as empresas que farão parte da próxima edição do MICA a Cargill – uma das maiores indústrias de alimentos do mundo – e a Pif Paf – que está entre as 10 maiores do setor de processamento de aves, suínos, massas e vegetais.

A primeira edição do MICA identificou avanços importantes no varejo. A Rede Cencosud, uma das maiores empresas do varejo alimentar na América Latina, comprometeu-se a banir o confinamento de galinhas em gaiolas em todas as suas operações no Brasil até 2028.

Dentre as redes de restaurantes, a Arcos Dorados, operadora das lojas McDonald’s na América Latina, também se destacou na primeira edição do monitor e já confirmou participação no próximo relatório. “O abastecimento sustentável, incluindo o respeito à saúde e bem-estar animal, é um dos pilares da nossa estratégia de atuação ESG, chamada Receita do Futuro. Com ela, assumimos o compromisso de realizar um trabalho proativo constante ao lado de nossos fornecedores e parceiros, para promover o avanço de práticas mais conscientes e sustentáveis em todas as etapas de produção, buscando engajar toda a cadeia para gerar impactos positivos na sociedade e no meio ambiente, além de assegurar um alto padrão de qualidade de nossos ingredientes. Ferramentas como o MICA ajudam a trazer visibilidade para os avanços que têm sido alcançados pelas companhias e temos orgulho de ser a única empresa do setor de alimentação rápida a figurar na categoria bronze na primeira edição do relatório, pela nossa atuação com cage free eggs. Sabemos que só conseguiremos avançar em direção a um mundo mais sustentável trabalhando em conjunto com organizações como a Mercy For Animals e lideranças do setor em todos os níveis da cadeia produtiva”, comenta Gabriel Serber, diretor de Impacto Social e Desenvolvimento Sustentável da Arcos Dorados.

Conforme Beatriz Veloso, especialista em Relações Corporativas da MFA, à medida que a data final dessa transição se aproxima para as companhias que assumiram compromissos públicos, é fundamental garantir que as políticas corporativas de bem-estar animal sejam cumpridas dentro do prazo. “Para isso, empresas precisam avançar em suas transições, consequentemente estimulando produtores de ovos latino-americanos a mudarem seus sistemas de produção”, explica.

 

Sobre o MICA

O MICA é uma ação do Departamento de Políticas Corporativas da MFA, que direciona seus esforços para mobilizar empresas a anunciarem e executarem prontamente políticas que visem reduzir o sofrimento dos animais na indústria. 

Somente no Brasil, mais de 150 empresas já anunciaram compromissos para banir integralmente de suas cadeias de suprimentos o confinamento de galinhas em gaiolas, a maioria até 2025. Entre elas, estão os grandes varejistas Carrefour e GPA, as maiores redes de alimentação no país, como McDonald’s, Burger King, Subway, Spoleto, GRSA e Sodexo, e outras importantes empresas do varejo alimentar como St Marche, Zaffari e Makro, além da Cia Beal de Alimentos.

 

Como funciona

A MFA entra em contato com as empresas escolhidas para integrar o MICA e encoraja que reportem publicamente o avanço que fizeram em suas transições. Grandes empresas com atuação da América Latina, mas não comprometidas a banir ovos de galinhas confinadas, também foram incluídas no MICA como forma de comparar sua performance à de seus concorrentes e conscientizar o público sobre o assunto.

As informações são compartilhadas por meio de um questionário. Para as empresas que não enviaram seus dados, são utilizadas informações disponíveis publicamente. Como o levantamento será realizado anualmente, novos negócios poderão ser selecionados e os atuais terão a oportunidade de melhorar suas posições.

 

Importância para o consumidor

Por meio deste trabalho, os consumidores têm a oportunidade de comparar o desempenho das empresas e usar essas informações nas suas decisões de compra. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto IPSOS, 82% dos participantes qualificaram a prática do confinamento de galinhas em gaiolas como inaceitável, e 71% afirmaram considerar inadmissível a venda desses ovos em supermercados e restaurantes. Ao serem questionados sobre o tratamento dado aos animais, 82% dos entrevistados relataram não aceitar o confinamento.