A Mercy For Animals (MFA), uma das maiores organizações mundiais em defesa de animais explorados para alimentação, lançou um indicador que visa maior equilíbrio nos compromissos globais firmados por 38 companhias internacionais de alimentação para o uso de ovos de galinhas livres de gaiolas.

O International Cage-Free Equity Index (ICEI) – Índice de Equidade Internacional do Compromisso de Ovos de Galinhas Livres de Gaiolas, em português – mapeou 13 fabricantes de alimentos e 25 empresas de serviços de alimentação e avaliou, até 15 de outubro de 2021, se os compromissos públicos de ovos de galinhas livres de gaiolas destas companhias promovem igualdade internacional ou perpetuam a desigualdade, em especial em países do sul global, incluindo o Brasil.

O mapeamento aponta a falta de compromissos globais proibindo o uso de ovos de galinhas confinadas em gaiolas de 4 das 13 fabricantes de alimentos (leia o relatório completo), incluindo a Mars – a fabricante de produtos como Snickers, Twix e M&M’s anunciou que 100% dos ovos utilizados em seus produtos seriam de galinhas livres de gaiola na Austrália até 2025 e compromisso semelhante em produtos alimentícios para seres humanos no Canadá, Europa e Estados Unidos, mas ainda não publicou um cronograma de transição para o fim das gaiolas em suas cadeias de suprimentos na África, Ásia, América Latina e no Oriente Médio.

Além disso, o ICEI aponta que 7 das 25 empresas internacionais de serviços de alimentação avaliadas apresentam desigualdade nas políticas globais para o uso de ovos de galinhas livres de gaiolas. Entre elas, está o Outback, que apesar de ter se comprometido em não usar ovos de galinhas confinadas em gaiolas nos EUA e no Brasil até 2025, não estendeu a medida a operações no resto do mundo, incluindo países da Ásia, América Latina e do Oriente Médio.

Referenciadas pela primeira vez nos EUA no início da década de 1930, as gaiolas em bateria são pequenas estruturas de arame empilhadas. Cada uma abriga de seis a dez galinhas. O sistema resulta em condições terríveis e impossibilita vários comportamentos naturais vitais dos animais, como fazer ninhos e ciscar.

O avanço nas promessas de ovos provenientes de sistemas sem gaiola conduziu a uma enorme mudança na indústria, com mais de 30% das galinhas nos Estados Unidos e mais de 50% na Europa vivendo livres de gaiolas. Por outro lado, no Brasil, 95% das galinhas exploradas na indústria de ovos são alojadas em gaiolas – situação semelhante é realidade em países como México (99,5%) e China (97%).

O relatório do ICEI destaca que as preocupações com o bem-estar animal e a segurança dos alimentos não terminam nas fronteiras dos países e alerta que “excluir consumidores e animais do sul global das questões de responsabilidade social corporativa não parece justo”.

“Padrões mais elevados de bem-estar animal, segurança de alimentos e rastreabilidade — todos refletidos nas políticas de fim do uso de ovos de galinhas mantidas em gaiolas — são uma demanda crescente na América do Sul e devem ser um direito básico para os consumidores em qualquer lugar do mundo”, ressalta Renata Scarellis, diretora de políticas corporativas da MFA no Brasil.

“Já passou da hora de pararmos de aceitar que as empresas sacrifiquem padrões éticos por lucro. Todos precisam agir agora”, reforça Carla Lettieri, diretora executiva da Animal Equality Brasil, uma das organizações parceiras do projeto da MFA junto com Animal Friends Jogja, Igualdad Animal, Planet for All Hong Kong, Plataforma ALTO, Sinergia Animal, The Humane League México e Utunzi Animal Welfare.