Em 2018, o Brasil ficou chocado com o caso de 27 mil bois vivos que foram embarcados em um navio no Porto de Santos (SP) com destino ao abate no Oriente Médio. Na época, os moradores reclamaram do mau cheiro causado pelas fezes e urina dos bois que empesteou o ar da cidade. 

Dentro do navio, os animais viviam entre seus próprios dejetos, cada um com um espaço de apenas 1 m², em um trajeto que durou semanas.

O biólogo e ativista Frank Alarcón chegou a entrar na embarcação e registrou em imagens o sofrimento a que esses animais eram submetidos, denunciando para toda a população as condições de viagem dos bois. O fato chamou a atenção de ativistas e entidades da causa animal, que na ocasião se mobilizaram contra o embarque dos bois no navio. 

Além das manifestações em frente ao Porto de Santos, organizações como o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, a Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA) entraram com ações civis públicas em diferentes instâncias que chegaram a impedir a saída do navio e a exportação de animais vivos em todo o território nacional. 

Todas as decisões favoráveis foram derrubadas e os bois seguiram para a Turquia, mas a luta contra essa terrível atividade continua.

Acidentes relacionados à exportação de animais vivos no Brasil

Há muitos anos, ativistas e organizações da causa animal de todo o mundo atuam em diferentes frentes para que a exportação de animais vivos seja banida. No Brasil — o segundo maior exportador de animais vivos via marítima do mundo —, não é diferente. 

Em 2012, mais da metade (52,8%) dos 5.200 bois embarcados em um navio com destino à Venezuela morreram asfixiados durante uma viagem em decorrência de uma pane no sistema de ventilação. O embarque ocorreu no Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA). 

Nesse mesmo porto, em 2015, aconteceu um dos piores desastres ambientais da história do estado: um navio que transportava 5 mil bois vivos naufragou na doca e a maioria dos animais morreram afogados. A decomposição dos seus corpos e o vazamento de óleo do navio comprometeram a subsistência das comunidades ribeirinhas e afetaram a saúde de centenas de pessoas da região. 

Na ocasião, o Fórum Permanente de Proteção Animal do Pará acompanhou de perto a retirada das carcaças por dias e prestou auxílio ao Ministério Público, denunciando não apenas a poluição causada no porto, mas também as condições em que os animais eram mantidos. 

O Pará é o maior exportador de animais vivos do Brasil. Em 2019, a estação de pré-embarque Fazenda Morada da Lua, em Abaetetuba, foi embargada pela Justiça por despejar dejetos dos bois confinados em um rio da região. A contaminação das águas causou sérios danos à subsistência e à saúde da população local. 

Em 2018, no mesmo ano do incidente do navio no Porto de Santos, entidades ambientalistas e da causa animal, junto a moradores e ativistas, promoveram uma manifestação no porto de São Sebastião, litoral de São Paulo, contra a exportação de animais vivos no estado. 

A ação foi apoiada por várias entidades de todo o Brasil, como Mercy For Animals, Voto Animal, Zero Jaula, FAOS-SP – Federação das Associações e Sociedades Protetoras dos Animais do Estado de São Paulo, ABRAA – Associação Brasileira de Advogadas e Advogados Animalistas, Animalistas – Resistência Vegana, Canto da Terra e Coletivo Vox Vegan.

Ações contra a exportação de animais vivos

Diante de tanto sofrimento causado pela exportação de animais vivos, a Mercy For Animals lançou em 2019, com a ativista Luisa Mell, a petição pública Exportação Vergonha, pedindo que o Senado Federal aprove o PLS 357/2018. 

Na época, a apresentadora narrou imagens chocantes de animais exportados vivos em um vídeo, e centenas de pessoas foram às ruas na Avenida Paulista para pedir o fim dessa prática.

Em 2020, a MFA lançou mais um vídeo de investigação que revela o embarque e o destino brutal dos animais exportados vivos. Nesse mesmo ano, a organização Princípio Animal atuou juridicamente frente ao maior carregamento de carga viva do Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde 26 mil bovinos foram embarcados para a Turquia e o Líbano. 

Nos países de destino, os animais podem ser mortos enquanto ainda estão conscientes e são capazes de sentir dor.

A exportação de animais vivos segue acontecendo em todo o Brasil e é uma atividade inaceitável. Neste ano, lançamos mais um vídeo, narrado pelo ator e apresentador Márcio Garcia, que mostra o pesadelo vivido pelos animais, do embarque ao destino final. 

Se você também não concorda com esse absurdo, junte-se a nós e peça ao Senado que aprove o PLS 357 de 2018 assinando a petição em ExportacaoVergonha.com.br. Para saber mais sobre os terríveis números da exportação de animais vivos, acesse o relatório investigativo.