A exportação de animais vivos já foi notícia algumas vezes no Brasil e no mundo. A terrível situação dos navios, marcada por lotação e condições precárias de higiene, e o sofrimento dos animais são apenas alguns dos fatores que geram revolta e angústia em quem acompanha a triste realidade dessas viagens.

No entanto, não é apenas no Brasil que isso acontece. Infelizmente, a exportação de animais vivos ainda é uma atividade comum em muitos países. 

Segundo o jornal britânico The Guardian, anualmente quase 2 bilhões de animais explorados para consumo são transportados em caminhões ou navios para abate em outros países. Diariamente, pelo menos 5 milhões de animais estão em trânsito com essa finalidade.

 

Quais animais são exportados vivos?

Bois e ovelhas são as principais vítimas dessa atividade, mas alguns países também exportam outros animais, como porcos, galinhas e cabras.

O Brasil, inclusive, ostenta vergonhosos títulos: 

  • maior exportador de bois vivos da América Latina;
  • segundo maior exportador de bois vivos por via marítima do mundo;
  • segundo maior fornecedor de bois vivos do Oriente Médio;
  • maior fornecedor do Norte da África.

 

Como é a situação dos animais exportados vivos?

O extremo sofrimento animal é o que motiva a Mercy For Animals, e várias outras organizações de proteção animal ao redor do mundo, a lutar contra a exportação de animais vivos.

As viagens longas, que incluem também o transporte terrestre entre as fazendas e os portos, colocam os animais em condições terríveis que causam estresse, dor e desconforto.

Além dessa triste situação, acidentes marítimos podem ocorrer e tornar a realidade desses animais ainda pior, como aconteceu nos casos a seguir.

Canal de Suez

Em 23 de março de 2021, o navio Ever Given encalhou no Canal de Suez e interrompeu completamente o fluxo no canal. 

Segundo o The Guardian, pelo menos 20 dos barcos atrasados devido ao encalhamento transportavam animais vivos, alguns vindos da Espanha; outros, da Romênia. 

Esses animais, que já enfrentam o estresse e o desconforto de transportes marítimos longos e cansativos com destino a uma morte brutal, tiveram suas viagens adiadas. Ativistas e organizações manifestaram, à época, suas preocupações com o bem-estar desses animais e com as condições básicas de sobrevivência, como alimentação e água.

Karim Allah e Elbeik

Em dezembro de 2020, pouco tempo antes do acontecimento no Canal de Suez, duas embarcações que partiram da Espanha foram palco de muito sofrimento para os animais.

Os navios Karim Allah e Elbeik partiram rumo à Turquia, no entanto, foram forçados a passar meses longe do porto inicial, pois o país de destino se recusou a aceitar os animais. O governo manifestou receio de que os animais estivessem com uma doença bovina conhecida como “língua azul”. 

Por isso, os navios tentaram revender os animais e, não obtendo sucesso, retornaram à Espanha.

Ao voltarem para o país de origem após meses em alto-mar, os animais foram mortos e descartados. 

Queen Hind

Em 2019, um navio da Romênia tombou com mais de 14 mil ovelhas no Mar Negro, rumo à Arábia Saudita.

Apenas 254 animais foram resgatados com vida, entretanto, só 80 sobreviveram à exaustão e às lesões após o resgate. 

Na época, imagens da ONG Animals International mostraram animais amontoados na lateral do navio e flutuando no mar.

Gulf Livestock 1

Em 2020, um navio com 43 tripulantes e quase 6000 animais afundou na costa do Japão após falha no motor devido à agitação marítima causada pelo tufão Maysak.

A embarcação saiu da Nova Zelândia em agosto em direção à China, uma viagem com duração estimada de 17 dias. Todos os animais morreram. Apenas um membro da tripulação sobreviveu.

 

A atividade já é proibida em algum país? Qual?

Até pouco tempo atrás a Índia era o único país em que a exportação de animais vivos estava proibida em todos os seus portos.

Porém, recentemente o governo da Nova Zelândia saiu na frente de outros países e também anunciou a proibição da exportação de animais vivos por via marítima. A indústria terá um prazo de 2 anos para fazer a transição e parar definitivamente com essa atividade.

Damien O’Connor, Ministro da Agricultura no país, informou: 

“Nós devemos estar à frente da curva em um mundo onde o bem-estar animal está sob constante escrutínio” (tradução livre)

Já na Austrália, a situação não é tão promissora, embora eles já tenham suspendido a exportação de animais vivos para alguns países, como Egito e Indonésia, por três vezes em decorrência da brutalidade nos abatedouros. Investigações da ONG Animals International — uma delas, inclusive, divulgada pela Mercy For Animals — já revelaram tristes imagens de navios da indústria de exportação de animais vivos no país. 

As repercussões geraram uma interrupção da atividade, no entanto, o país não seguiu com a proibição e ainda hoje animais vivos continuam sendo transportados por longas distâncias para serem mortos para consumo em outros países.

Contudo, após o anúncio do governo neozelandês sobre a proibição, o Ministro da Agricultura da Austrália deu a triste notícia de que o país não tem planos para suspender ou banir a exportação de animais vivos.

No entanto, no Reino Unido o cenário também é positivo. Em seu Plano de Ação de Bem-estar Animal, divulgado em maio de 2021, a nação assumiu o compromisso de erradicar a atividade. 

Esses são apenas alguns exemplos de países que estão revisitando suas políticas de bem-estar animal e tomando decisões mais alinhadas à demanda mundial por um mundo mais sustentável, saudável e gentil com os animais.

No Brasil, infelizmente a exportação de animais vivos ainda é uma realidade sem data para acabar.

Mas estamos caminhando.

Em pesquisa da Ipsos encomendada pela Mercy For Animals, 59% das pessoas entrevistadas afirmaram que, antes da pesquisa, não tinham conhecimento de que os animais explorados no Brasil para consumo eram exportados vivos para abate em outros países.

Além disso, 84% afirmou concordar, totalmente ou em parte, que a exportação de animais vivos para abate deve ser proibida.

Esses dados reforçam duas questões importantes:

  1. a conscientização é fundamental para conquistarmos mudanças significativas pelos animais;
  2. temos um forte apoio do público para pedirmos o fim dessa terrível atividade.

Nós seguiremos lutando por esses animais com a campanha Exportação Vergonha, que agora conta com vídeo narrado pelo apresentador Márcio Garcia.

Leia o relatório para saber mais sobre a exportação de animais vivos e junte-se a nós e peça ao Senado que aprove o Projeto de Lei 357/2018 proibindo, em todo o Brasil, a exportação de animais vivos para abate.