Grande parte das pessoas que param de comer carne, laticínios e ovos, o fazem pelos animais. Porém, uma dieta vegetariana tem impactos importantes também considerando outros aspectos. Um dos mais nefastos é a fome no mundo. É isso aí: a produção de carne é responsável, ironicamente, por muitas pessoas não terem o que comer.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fome afeta uma em cada nove pessoas no mundo. São mais de 800 milhões de pessoas desnutridas, número maior que as mortes causadas por AIDS, tuberculose e malária juntas. Ao mesmo tempo, a FAO é categórica ao afirmar que há comida mais que suficiente para alimentar todas as pessoas do mundo. Então para onde está indo essa comida?

Metade de toda proteína produzida no mundo é usada como ração. No Brasil, esse número é ainda mais alarmante. Por aqui, 79% é transformada em ração, enquanto apenas 16% é destinada à alimentação humana. Embora carnes e derivados representem apenas 12% das calorias consumidas globalmente, 75% das terras agricultáveis do planeta são usadas para pastagem e produção de ração – isso tudo quebra também o argumento de que o vegetarianismo aumentaria a demanda por soja. Não há terra, água e insumos suficientes para produzir a carne necessária para alimentar a população mundial crescente nos próximos anos.

Além da crueldade a qual são submetidos, vacas, porcos e galinhas consomem muito mais alimento do que produzem. Em média, para cada mil calorias produzidas sob a forma de carne, um animal consome cerca de 10 mil calorias, um desperdício de 90% do alimento consumido.

A questão é tão complexa que o uso em grande escala de alimentos como milho, soja e trigo para alimentar animais de produção eleva seu preço no mercado, restringindo seu consumo por populações em situação de pobreza.

A produção de cereais em monoculturas, desmatamento e consumo de água para produção de produtos de origem animal também são os maiores responsáveis pelo aquecimento global, que tem causado catástrofes naturais. Daí, duas consequências seríssimas: primeiro, coloca em risco a própria produção de alimentos, que depende de condições climáticas e recursos naturais apropriados; e, segundo, faz com que muitas populações tenham que migrar por causa da escassez de alimentos e se tornem refugiadas (os chamados refugiados climáticos), potencializando a miséria e a fome.

Uma simples redução de 50% no consumo de carnes aumentaria a quantidade de calorias disponíveis para consumo humano em cerca de 25% – o suficiente para alimentar quase 2 bilhões de pessoas a mais no planeta. Além de poder ser mais barata e saudável que uma dieta baseada em produtos de origem animal, a dieta vegetariana colabora para a segurança alimentar e para a democratização do acesso a alimentos no mundo. Você pode começar a tornar o mundo um lugar melhor para todas as pessoas e animais baixando nosso Guia Vegetariano Gratuito aqui.