Desmatamento, consumo excessivo de água, desperdícios, mudanças climáticas… Esses assuntos sempre nos preocupam e estamos constantemente buscando ações individuais que possam minimizar os nossos impactos no planeta.

Mas você já parou para pensar nos impactos ambientais causados pela pecuária?

A exploração de animais para alimentação está por trás de muitos problemas ambientais que estamos vivenciando. 

Veja quais são as principais consequências da pecuária na natureza e saiba como você pode contribuir para mudar essa realidade!

 

1. Devastação da Amazônia

A Amazônia é um dos ecossistemas mais importantes do mundo. E não é à toa.

O bioma abriga mais espécies de plantas e animais do que qualquer outro lugar no mundo, além de ser considerado o pulmão da Terra, já que absorve até 2 bilhões de toneladas de CO₂ por ano!

Incrível, não é?

Mas a maior floresta tropical do mundo está sendo destruída pelo desmatamento gerado pela pecuária. 

A parte brasileira da Amazônia representa cerca de dois terços do bioma, mas em vez de cuidarmos e valorizarmos essa riqueza, estamos desmatando o equivalente a 1 campo de futebol por minuto na região.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), de 1990 a 2005 a população de bovinos do Brasil aumentou 40% e o país tornou-se o maior exportador de carne bovina do mundo. 

Atualmente, a quantidade de bois na Amazônia é o dobro da quantidade de pessoas em São Paulo, o estado mais populoso do país. 

De acordo com as previsões da indústria de carne bovina brasileira, nos próximos 10 anos o consumo de carne aumentará, ou seja, a produção e a exportação também poderá sofrer um aumento.

Para satisfazer os mercados nacional e global de carne, o Brasil terá que abater 52,6 milhões de bois em 2029, o que representa um aumento de 17,7% em relação a 2019. 

Isso significa que mais áreas terão que ser desmatadas para dar espaço a pastos, o que levará a mais devastação das florestas e suas consequências ambientais.

 

2. Desmatamento de outras regiões

Uma análise feita pelo IBGE entre 2000 e 2018 apontou que, nesse período, o Pantanal teve 2,1 mil km² devastados, sendo que 59,9% dessa área foi transformada em pastagens.

Em 2020, com o triste recorde de queimadas que assolaram o bioma, uma área de quase 33 mil km² foi atingida! Isso equivale aos territórios de Alagoas e do Distrito Federal somados.

Já no Cerrado, de acordo com o Instituto Pastagens:

“No período de 2000 a 2014, o cultivo da soja teve um aumento de 108% no Cerrado e entre soja, milho e algodão, a expansão total foi de 87%, sendo que 70% das alterações de uso da terra ocorreram em pastagem ou outras culturas.”

Em seguida mostraremos a relação da produção de soja e milho com a criação de animais para consumo, mas com esses dados já dá para ter uma ideia da dimensão dos impactos da pecuária nessas regiões tão importantes para o meio ambiente.

3. Consumo de água

Fechamos as torneiras ao escovar os dentes, tomamos banhos mais rápidos e nos preocupamos em gastar o mínimo de água possível nas nossas atividades diárias. Essas ações são muito importantes e têm um impacto significativo na conscientização sobre a escassez de água e também na sua preservação.

No entanto, enquanto tomamos todas essas ações individuais, a pecuária é a responsável por consumir 70% de toda a água doce consumida no mundo! 

Essa água é usada nas plantações dos grãos destinados para ração e para irrigar pastos, principalmente. Enquanto isso, muitas pessoas passam sede e ficam longos períodos sem acesso a água potável ao redor do mundo.

 

4. Desperdício de alimentos

Um relatório publicado pela ONU em 2020 estima que em 2019 quase 690 milhões de pessoas passaram fome no mundo e prevê que, com a pandemia de Covid-19, essa situação se agrave ainda mais.

Enquanto isso, de acordo com relatório da FAO, 26% das terras do planeta são usadas para pastagem e 33% das terras cultiváveis são usadas para produzir ração para animais, ou seja, para cultivar milho, soja e outros grãos para alimentar os animais criados para alimentação humana.

No Brasil, 79% da soja e do milho produzidos são usados na alimentação de animais explorados para consumo.

Estamos ocupando terras e gastando recursos naturais e mão-de-obra para alimentar animais para que eles supram o mercado de carne, leite, ovos, queijos e outros derivados.

No entanto, ainda de acordo com a FAO, conseguiríamos alimentar 9 bilhões de pessoas em 2050 se 40% de todas as colheitas produzidas hoje fossem direcionadas diretamente para consumo humano. 

 

5. Emissão de gases do efeito estufa

A pecuária é a responsável por 14,5% de toda a emissão de gases do efeito estufa no mundo.

Dentro desse setor, 65% das emissões vêm da criação de animais para carne, leite e outros produtos, como esterco.

O elevado índice de gases do efeito estufa impulsiona mudanças climáticas, elevação do nível do mar, ocorrência de eventos naturais extremos, entre outros.

 

6. Perda de biodiversidade

O desmatamento, a exploração intensiva das terras e as consequentes mudanças climáticas ameaçam diretamente a biodiversidade.

Apesar de não ser a única responsável por ameaçar a vida das milhões de espécies que dividem o planeta conosco, a pecuária tem um papel significativo nessas ameaças.

A poluição das águas causada pela descarga de resíduos prejudica diretamente os animais aquáticos, o uso das terras para pastos e a produção de ração destrói e degrada habitats de espécies nativas, enquanto os gases de efeito estufa contribuem para as mudanças climáticas, que levam espécies à extinção caso não consigam se adaptar às novas (e muitas vezes inadequadas) condições.

 

Como ajudar a mudar essa realidade?

Os impactos ambientais causados pela pecuária são preocupantes, mas a população tem se conscientizado cada vez mais sobre a importância das nossas escolhas para a construção de um mundo mais sustentável, saudável e compassivo.

Ao tirar os animais do nosso prato, deixamos de contribuir para essa realidade a cada refeição. Tem interesse em fazer parte dessa mudança? Considere deixar a carne, o ovo, o leite e seus derivados fora do prato.