Apenas no Brasil, cerca de 7 bilhões de animais terrestres são explorados e assassinados anualmente. Promover campanhas para reduzir consideravelmente a quantidade colossal de animais explorados no mundo requer estratégias inteligentes e campanhas que promovam a adesão em massa. Nosso público-alvo são os não-vegetarianos, que representam quase 98% dos brasileiros, mas também lidamos com vegetarianos e veganos. Relativamente novo no Brasil, o movimento vegano conta com muitos seguidores apaixonados e vários grupos de adeptos que buscam – com a melhor das intenções – criar definições para proteger o ‘’patrimônio’’ do veganismo.

A Mercy For Animals se importa muito mais com os animais do que com termos, definições ou ideologias. Mas sabemos que sempre haverá grupos querendo ditar o que é certo e o que é errado a partir do conceito por eles adotado.

No mundo todo, o Brasil é o único país de que temos notícia onde se vê classificar empresas como veganas, e não produtos. No restante do mundo, especialmente em países onde o veganismo tem crescido de forma muito mais acelerada e sustentável, os produtos são classificados como veganos, não as empresas.

A própria Vegan Society, que detém a definição de veganismo mais aceita do mundo, defende o boicote a produtos, não empresas:

“O veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais, seja para alimentação, para vestuário ou qualquer outra finalidade. Dos veganos junk food aos veganos crudívoros – e todos mais entre eles – há uma versão do veganismo para todos os gostos. No entanto, uma coisa que todos temos em comum é uma dieta baseada em vegetais, que evita todos os alimentos de origem animal, como carne […], laticínios, ovos e mel, bem como produtos como couro e qualquer produto testado em animais.”

Essa definição foi criada pela The Vegan Society, da Inglaterra, mais antiga entidade vegana do mundo.

Por mais que alguns veganos rejeitem empresas que testam em animais para alguns ou diversos de seus produtos, simplesmente não se pode condenar qualquer vegano por consumir um produto vegetariano estrito que não depende de qualquer teste em animais para a sua produção.

Segundo todas as definições de veganismo disponíveis, o consumo de produtos vegetarianos estritos que não dependem de testes em animais é aceito mesmo que a empresa por trás do produto pratique ou apoie exploração animal para outros produtos e atividades, qualquer que seja a finalidade.

Por coerência, ao defender-se o boicote a empresas, também estaria vetado o consumo de sanduíches e pratos vegetarianos de estabelecimentos que também vendem carne, assim como de bebidas de todas as maiores marcas (pois exploram animais tanto para alimento como para entretenimento) e até mesmo compras em supermercados.

Defendendo-se o boicote a produtos, não empresas, não há contradição no consumo de produtos vegetarianos estritos, mesmo que de empresas que exploram animais para outros produtos e atividades.

Para a Mercy for Animals, o que mais importa é a quantidade de animais que ajudamos a salvar da miséria e da morte. Para promovermos grandes mudanças nesse sentido precisamos inspirar e evitar julgamentos. O julgamento moral afasta as pessoas e as coloca como inimigas. A Mercy For Animals trabalha para expor a realidade dos animais e facilitar ao máximo o processo de transição para uma dieta sem ingredientes de origem animal. Temos ciência de que não podemos e não devemos fazer imposições. Por mais que quiséssemos que funcionasse, essa abordagem efetivamente atrapalha a mudança.