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Brasil deve começar a exportar animais vivos também para a Arábia Saudita
Passaram-se poucos meses do caso polêmico envolvendo a exportação de animais vivos pelo Porto de Santos, em que 25 mil bois e vacas embarcaram no navio Nada em situações deploráveis com destino à Turquia. Mas foi tempo suficiente para a Minerva (empresa responsável pelas exportações) se comprometer a pagar milhões pelo naufrágio de animais, para o Porto de Santos ser multado por fazer operações com animais vivos sem licença ambiental, e até mesmo para 28 mil animais hidratados com água contaminada com dejetos de uma mineradora serem enviados para a Turquia.
Mas nenhuma dessas notícias parece fazer frente aos interesses da agropecuária e colocar um fim na tortura dos animais e na degradação ambiental: a Arábia Saudita está enviando uma missão para o país no início de maio, com o objetivo de negociar a retomada da parceria comercial. As importações estavam suspensas desde 2012, quando ocorreu no Paraná um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina.
A negociação vai ao encontro das intenções da indústria, que pretende intensificar a exportação de animais vivos. Apesar do ativismo ter causado dor de cabeça para os produtores, consultorias têm apostado que o Brasil deverá embarcar mais de 1 milhão de bois e vacas nos próximos três anos e assumir liderança desse mercado. Atualmente, o Brasil é o quinto maior exportador de gado vivo, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), sendo o México o maior exportador.
Mais crueldade
A visita foi combinada durante uma reunião de uma delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com o vice-ministro da Agricultura, Meio Ambiente e Águas da Arábia Saudita, Ahmed Bin Saleh Al Ayadah, em Riad.
Na mesma ocasião, a Arábia Saudita determinou que os frangos produzidos no Brasil sejam abatidos sem dessensibilização prévia, ou seja, com os animais totalmente conscientes. Isso porque o abate halal, exigência da religião muçulmana, define que os animais devem ser mortos com um corte na artéria carótida e na veia jugular na área do pescoço. Após o corte, o animal sangra enquanto ainda está vivo e consciente, suspenso pelas patas traseiras. Somente então é decepado.
Atualmente, todos os animais passam por um procedimento de atordoamento por choque elétrico antes de terem suas gargantas cortadas por uma lâmina. O Brasil pediu 60 dias para implementar as mudanças, que representarão um aumento sem precedentes na crueldade imposta aos animais abatidos no Brasil.
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