Refeição à base de vegetais sai até 60% mais barata do que com ingredientes de origem animal

Leandro Becker 17/06/2022

Diante da escalada da inflação da carne, pratos mais saudáveis economizam renda familiar, aponta levantamento da Mercy For Animals em capitais

A diferença do custo de preparar pratos tradicionais contendo carne bovina e utilizando apenas vegetais – mantendo as mesmas características nutricionais – pode chegar a até 60%. 

Este é o resultado de um levantamento feito pelo programa Alimentação Consciente Brasil (ACB), promovido pela ONG Mercy for Animals (MFA) no Brasil, com base em comparativos nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. 

A pesquisa analisou os valores de uma refeição tradicional que inclui feijão carioca, arroz branco, cenoura com abobrinha, salada de alface, tomate e beterraba, e sobremesa (laranja). A única diferença foi a substituição da carne moída por hambúrguer de feijão.

Na capital pernambucana, por exemplo, uma refeição tradicional com carne moída, que custaria R$ 5,17 para ser preparada, cai para R$ 3,15 se tiver apenas produtos vegetais no seu preparo, numa economia de 39%. Na tabela a seguir, veja a diferença em cada capital:

Cidade Refeição tradicional* Refeição 100% vegetal Economia
Recife (PE) * R$ 5,17 R$ 3,15 39%
Belo Horizonte (MG) ** R$ 8,67 R$ 3,96 54%
Rio de Janeiro (RJ) *** R$ 6,27 R$ 2,66 58%
São Paulo (SP) **** R$ 7,81 R$ 3,14 60%

*CEASA/PE, **TCE/MG-Banco de Preços, ***TCE/RJ-Banco de Preços  ****CEAGESP e Supermercado Sonda

Para efeito de comparação, a substituição de uma refeição tradicional por um prato à base de produtos 100% vegetais, durante um mês (30 dias), geraria economia total no orçamento individual de R$ 141,30 em Belo Horizonte, R$ 140,10 em São Paulo, R$ 108,30 no Rio de Janeiro e R$ 60,60 no Recife, conforme a pesquisa.  

“A substituição da carne bovina por feijão ou outras leguminosas, como lentilha, grão-de-bico, entre outras, é uma saída mais em conta e mais saudável para as pessoas continuarem a ter um consumo de proteína e ferro adequados”, explica Bruna Nascimento, nutricionista e Especialista Sênior em Políticas Alimentares da MFA. 

Versatilidade

Segundo Bruna, o feijão é uma ótima fonte desses nutrientes, assim como de fibras. Um pedaço de 100g de carne pode ser substituído, por exemplo, por sete colheres de sopa de feijão ou uma concha grande. Ela acrescenta que o feijão pode ser preparado cozido ou em outros formatos, como hambúrguer, almôndega e patê.

“Ao fazer essa substituição, também vale a pena atentar ao consumo de algum alimento rico em vitamina C junto ou logo após as refeições. Isso ajuda a aumentar a absorção do ferro presente nos feijões”, alerta a nutricionista, citando o consumo de frutas e suco natural.

Alimentação consciente

O programa Alimentação Consciente Brasil (ACB) tem o objetivo de incentivar o aumento do consumo de alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes, verduras e grãos, que devem ser a base de uma alimentação saudável e sustentável, de acordo com as principais autoridades mundiais relacionadas à saúde e ao meio ambiente.

Em seus 5 anos de existência, o programa já contribuiu para que mais de 15 milhões de refeições à base de vegetais fossem servidas em instituições parceiras do poder público, oferecendo uma consultoria inteiramente gratuita para adaptação de cardápio, treinamentos teóricos em educação nutricional e ambiental para nutricionistas e equipes pedagógicas e treinamentos práticos em cozinha vegetal para equipes de cozinha.

“Fazendo essa inclusão no cardápio de instituições que servem refeições em larga escala, como escolas e restaurantes populares, conseguimos contribuir significativamente para uma mudança sistêmica na cultura alimentar. Apesar de não ser um objetivo do programa, a otimização de recursos em instituições do poder público é uma consequência que possibilita um reinvestimento em uma maior diversidade de alimentos de origem vegetal nos cardápios ou até no fomento de formas mais justas de produção, como a agricultura familiar”, diz Alice Martins, Gerente Sênior de Políticas Alimentares do ACB.

Leia o que vem a seguir.

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