Não são tempos bons para os produtores de carne no Brasil. Desde que estourou a delação da JBS, seu proprietário foi preso e ficou claro que a empresa participava do maior esquema de corrupção já investigado no Brasil, a Lava-Jato, as exportações têm sido alvo constante de boicote por parte de diversos países. Não é à toa que a empresa, que é a maior companhia de processamento de carnes do mundo, teve queda de 79,8% no lucro no segundo trimestre de 2017, comparado ao mesmo período de 2016.

A novidade é que não é mais apenas por motivos políticos que alguns países têm se recusado a comprar a carne brasileira. O holofote sobre os produtos de origem animal têm ajudado a expôr outros sérios problemas que antes talvez passassem despercebidos. A Rússia, por exemplo, anunciou ontem que irá embargar as importações de carne de porco brasileiro. O motivo? Foi encontrada uma substância proibida na carne, a ractopamina.

Se o nome é bizarro, o motivo do uso é ainda pior. A ractopamina, por sua estrutura química muito semelhante a hormônios, faz a produção de carne se tornar mais lucrativa por desenvolver menos gordura e mais massa magra, modificando o metabolismo do animal enquanto vivo. Não existem pesquisas que comprovem a segurança dessa substância em termos de implicações musculares, cardiovasculares, toxidade, teratogenicidade e mutações genéticas. Em humanos, quando utilizada a longo prazo, é capaz de causar tremor muscular, taquicardia, vasodilatação e distúrbios metabólicos, entre outros sintomas.

Mesmo sem conclusões definitivas sobre efeitos colaterais, o Ministério da Agricultura e Pecuária permite que a carne vendida no mercado interno apresente essa substância, o que nos faz questionar: além de comprovadamente aumentar as chances de desenvolver câncer e doenças cardiovasculares, que outras implicações o consumo de carne com tantos aditivos e remédios trará para a saúde das pessoas?

Além da Rússia, os Estados Unidos também estão desconfiados da carne brasileira — tanto que até mandaram auditores do Departamento de Agricultura Americano (USDA) para checar se o Brasil estava sendo capaz de “exportar produtos seguros, saudáveis, não adulterados e corretamente rotulados e embalados”. O resultado não é uma surpresa: o relatório dos auditores, divulgado no dia 9 de novembro, conclui que há irregularidades sérias no sistema de fiscalização nacional. Isso te lembra alguma coisa?

Segundo os oficiais americanos, os procedimentos implementados eram inadequados para garantir que apenas peças saudáveis, livres de contaminação e defeitos recebessem o carimbo de inspeção e que, assim, havia risco de condições insalubres e contaminação direta do produto. Os auditores encontraram materiais estranhos não identificados na carne de diversos estabelecimentos e até mesmo abscessos. Você já viu um? É nojento!

O Ministério da Agricultura americano pediu que o governo e produtores promovam uma revisão urgente no processo produtivo e de fiscalização da carne. Nós também queremos propor uma revisão: que paremos de comer carne, leite e ovos que, além de não serem seguros para humanos, são motivo de sofrimento intenso para milhares de animais ao redor do mundo. Clique aqui para começar a rever seus hábitos alimentares.