Ex-presidente da BRF é preso em nova operação da Polícia Federal deflagrada na manhã de hoje (5)

O ex-presidente da BRF, uma das maiores companhias de processamento de carne do mundo, Pedro de Andrade Faria, e o ex-diretor-vice-presidente, Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior, foram presos hoje (5), após ser deflagrada a Operação Trapaça, continuação da Operação Carne Fraca. A BRF é responsável pelas marcas Sadia, Perdigão e Qualy, entre outras. 

O nome da operação se refere ao fato de que cinco laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estavam fraudando resultados de exames em amostras de seu processo industrial, com a anuência dos executivos das empresas. Ao Serviço de Inspeção Federal eram informados dados fictícios em laudos, mascarando os processos industriais e a qualidade dos produtos oferecidos aos consumidores. Segundo a Polícia Federal, isso aconteceu de 2012 a 2017.

A Polícia Federal cumprirá 91 ordens judiciais nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e de São Paulo: 11 mandados de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão.

Relembre


Não é um caso novo ou isolado o envolvimento das grandes empresas de exploração animal em escândalos de corrupção.

Em março de 2017, um imenso esquema de corrupção e irregularidades foi revelado pela Polícia Federal durante a Operação Carne Fraca, que também tinha a BRF como um dos alvos: cabeças de porco eram trituradas e adicionadas à linguiça, papelão misturado em carne de frango e carne vencida maquiada com produtos químicos para ocultar o mau cheiro. A operação ainda expôs práticas como injeção de água para aumentar o peso de produtos e casos em que foi constatada falta de proteína de carne.

"Eles usavam ácidos e outros produtos químicos para poder maquiar o aspecto físico do alimento. Usam determinados produtos cancerígenos em alguns casos para poder maquiar as características físicas do produto estragado, o cheiro", disse, na época, o delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo.

Em setembro do ano passado, também o presidente da JBS, maior produtora de proteínas do mundo, Wesley Batista e seu irmão, Joesley Batista, foram presos. Eles negociavam uma fita incriminatória ao Ministério Público em que Wesley aparentemente discute com o presidente Michel Temer sobre pagamentos para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara. Eles foram presos por suspeita de vender ações da JBS e comprar moeda estrangeira enquanto negociavam um acordo de delação premiada. Conscientes de que o acordo afetaria tanto o valor das ações quanto do câmbio, os irmãos agiram de forma a obter vantagem nos mercados financeiros.

A Operação Trapaça vem como apenas mais um reforço no que todos já sabíamos: além de financiar exploração e crueldade animal e danos inestimáveis ao meio ambiente e à saúde das pessoas, a indústria da carne está intimamente ligada à corrupção no país.

Há anos temos lido notícias de intenso combate à corrupção no Brasil, no entanto essas empresas continuam realizando práticas ilegais, que lesam e enganam não apenas os cofres públicos, mas também os próprios consumidores.

Se você não concorda com isso, está na hora de mandar uma mensagem clara: a melhor forma de parar de financiar a indústria da carne é mudando para uma dieta vegetariana saudável, saborosa e ética. Clique aqui para começar.