Hoje marca o dia em que a Europa consumiu todos os peixes de suas águas; entenda

De janeiro até hoje (16), a Europa consumiu todos os peixes que poderia produzir em cativeiro ou pescar em águas europeias para o ano todo — o que quer dizer que, até o dia 31 de dezembro, dependerá de frutos do mar importados. Anualmente, mais da metade dos pescados consumidos no Velho Continente tem origem em países subdesenvolvidos, que acabam com o ônus do impacto ambiental e social da atividade.

O dado foi levantado pela New Economics Foundation, que alerta para a situação dramática dos oceanos causada pela indústria da pesca. A ONU estima que 30% das principais espécies de peixes comerciais monitoradas são sobreexploradas, ou seja, submetidas a pesca em nível insustentável. No Atlântico, 41% dos frutos do mar são pescados a mais do que a natureza é capaz de "repor", e no Sudeste do Pacífico esse dado é ainda mais assustador: 61,5%.

O problema é que importar também não é mais uma solução viável. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) revelou, na semana passada, que o consumo de peixes na América Latina deverá aumentar 33% até 2030, e que eles já representam 17% da proteína consumida no mundo.

O resultado desse consumo excessivo é catastrófico para os animais e o meio ambiente. Um estudo de 2006 afirma que praticamente não haverá mais peixes nos oceanos até o ano de 2048, caso a mortalidade das espécies marinhas continue galopante — dado que já deve estar ultrapassado dado o crescimento exponencial do consumo desses animais desde que o levantamento foi feito, há 12 anos.


Se você quer salvar o meio ambiente e os animais de uma vida terrível e morte cruel, aqui vão algumas informações que podem te ajudar a repensar também o consumo de peixes e outros frutos do mar:

1. Peixes não são saudáveis

Bifenilos policlorados (compostos usados para diversos fins como fluídos, lubrificantes e tintas, considerados contaminantes ambientais e chegando até mesmo a serem banidos dos Estados Unidos), mercúrio, gordura saturada, colesterol — as pessoas ingerem tudo isso quando comem peixe. Não é à toa que o médico Alan Goldhamer os define como “esponjas de mercúrio”. Os criados em cativeiro ainda tomam antibióticos para controlar infecções por bactérias e fungos.

2. A pesca está destruindo os oceanos

As pessoas acham que estão comendo "só" um peixe, mas na verdade estão financiando uma indústria que promove um rastro de mortes por onde passa. A pesca causa um enorme desequilíbrio ambiental: os navios pesqueiros retiram dos oceanos muito mais do que a natureza é capaz de repor, e matam muito mais do que os peixes destinados à alimentação. A pesca comercial e industrial é reconhecidamente a maior causadora de morte de baleias, golfinhos, tartarugas e tubarões. Isso acontece tanto pela pesca acessória, que é quando espécies que não são alvos tradicionais da captura acabam mortas "sem querer" pelas enormes redes lançadas ao mar, quanto pelo plástico e equipamentos velhos jogados ao mar pela indústria, já que as redes de pesca são 46% do plástico dos oceanos. Isso tem levado à morte, todos os anos, mais de 100 mil baleias, golfinhos, focas, tartarugas e aves marinhas que passam seus últimos instantes de vida agonizando, morrendo lentamente afogados ou por desnutrição por terem ingerido esses utensílios.

3. A criação de peixes em cativeiro tem impactos ambientais seríssimos

Em um primeiro momento, peixes criados em cativeiros podem parecer uma boa alternativa para evitar a destruição dos oceanos. Porém, basta pesquisar um pouco para entender que não é bem assim. Um dos impactos mais sérios é a poluição das águas, em um processo chamado eutrofização. Isso acontece quando restos de ração, fertilizantes e excrementos fazem aumentar os níveis de nitrogênio e fósforo na água e reduzir os de oxigênio, o que favorece a proliferação de algas e compromete a estabilidade do ecossistema aquático. Vale ressaltar que muitas fazendas de criação de peixe são montadas no meio de rios e lagos.

4. Peixes são animais sensíveis e não merecem passar suas vidas em um tanque sujo e superlotado

Fazendas de criação de peixes são locais terríveis: os animais passam suas vidas inteiras amontoados em tanques sujos e superlotados onde travam uma verdadeira batalha com outros peixes por comida, espaço e até oxigênio.

Um estudo da Royal Society Open Science revelou que peixes criados em cativeiro sofrem de depressão severa; fisiologicamente falando, estão em seus limites. Estudando esses peixes letárgicos, os cientistas identificaram uma quantidade altíssima de cortisol (hormônio que atua no controle do estresse), além de aumento de atividade no sistema serotoninérgico, importante regulador do sono, respiração e humor. Os resultados são semelhantes aos apresentados por humanos em situação de pobreza ou expostos a outras dificuldades socioeconômicas.

Outro estudo, da Universidade de Melbourne, na Austrália, descobriu que 95% dos salmões criados em cativeiro são surdos. Isso acontece porque eles são estimulados a crescer muito rapidamente, de forma a dar mais lucro para os produtores. Muita gente talvez não saiba, mas peixes — ao menos os que vivem em liberdade — são capazes de ouvir.

5. Peixes sentem dor e não querem morrer 

Os peixes são seres extremamente sensíveis. Na verdade, cientistas de todo o mundo notaram diversas vezes que os peixes sentem dor da mesma forma que os animais terrestres. Os peixes são até mesmo comparáveis a cães, gatos e outros animais na forma como sentem prazer.

Mas peixes não são apenas inteligentes e lutam por suas vidas. Recentemente, se tornou viral um vídeo de um lagostim se segurando bravamente na borda de uma panela para não cair em um molho fervente. Um estudo publicado no Journal of Experimental Biology revela que caranguejos, lagostas e peixes realmente sentem dor.

Nós não conseguimos nem imaginar a tortura que é ser cortado ao meio enquanto ainda se está totalmente consciente, ser cozido ainda em vida ou morrer asfixiado lentamente, sem conseguir respirar fora da água.

Infelizmente, situações de crueldade como essa são comuns. Em 2011, a Mercy For Animals realizou uma investigação secreta em um abatedouro de peixes e expôs os animais sendo esfolados vivos. Ao mesmo tempo que o peixe engasgava por oxigênio, sua pele era arrancada com alicate. Eles lutavam por suas vidas tentando escapar das facas dos trabalhadores.

Você pode continuar fazendo pratos deliciosos, mas substituindo os peixes por alternativas vegetais tão gostosas quanto e mais saudáveis. Clique aqui para conferir a lista de receitas inspiradas no fundo do mar que preparamos.