O ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi, disse ao site do Globo Rural, em matéria publicada hoje, que os portos brasileiros estão se preparando para exportar 100 mil animais vivos para o exterior nos próximos dias. Todos esses animais já estão em quarentena em diversas fazendas do país, aguardando embarcar em uma viagem rodoviária de centenas de quilômetros e, depois, nos navios.

É curioso notar que, segundo o jornal Valor Econômico, o ministro esteve reunido com o presidente Michel Temer no último domingo (4) para tratar do assunto, demonstrando especial interesse na liberação das exportações. A Advogada-Geral da União, Grace Mendonça, teria entrado em contato com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região para informar da urgência de se suspender a liminar.

Poucas horas depois, tudo começou a mudar na Justiça, mesmo depois de diversas decisões favoráveis à proibição da exportação de animais vivos, que é uma das piores formas de sofrimento animal. Primeiro, foi derrubada a liminar que mantinha o navio Nada no Porto de Santos. Depois, caiu também a liminar que proibia a exportação de animais vivos em todo o território nacional.

Outra evidência de que é tudo um jogo com cartas marcadas é o fato de que, desde o dia 3 de fevereiro, um novo navio, chamado Ocean Shearer, está em Santos. Trata-se de uma embarcação de transporte de animais vivos, assim como o Nada, com capacidade para 22 mil bovinos. Outro navio, chamado Transporter, também de transporte de animais, está a caminho do Rio de Janeiro, com previsão de chegada para o dia 9 de fevereiro.

É alarmante pensar que graves riscos ambientais e violações aos direitos dos animais possam ser simplesmente ignorados em prol da obtenção de lucro por parte de um pequeno grupo de empresários que atua no setor do agronegócio brasileiro e tem realizado investidas conservadoras em diversas frentes, seja em questões sociais, trabalhistas ou ambientais.

A viagem desses bois pode durar até 30 dias e causa intenso sofrimento aos animais: eles passam dias, e em alguns casos até semanas, dentro da carroceria de caminhões ou em navios, sem espaço para andar ou deitar, sem segurança, sob calor e frio intensos, envoltos em fezes e urina, sem acesso a água ou ração adequadas. Alguns chegam feridos ou até mortos ao destino.

Nesse contexto, é urgente que ONGs, ativistas independentes e sociedade civil se unam para exigir a proibição definitiva de exportação de animais vivos em todo o Brasil. Anunciaremos os próximos passos da coalizão em breve.